Capítulo 5
Cristiano
Ligo o carro e pergunto se ela não quer comer algo e ele responde que não.
- O que você quer comigo? Ela pergunta. Fico um pouco assustado e gaguejo sem graça.
- Eu - eu... Só quero conhecê-la... ficar amigo... dou um sorrisinho bem sem jeito.
- Claro que podemos ser amigos, não sei como será possível, mas podemos. Ela fala de forma bem decidida e isso me surpreende.
- Posso saber o que você pensa sobre mim? Pergunto meio ressabiado com o que ela responderá.
- Posso ser sincera??? Ela dispara.
- Deve! Eu respondo e a ansiedade toma conta de mim. Ela mexe muito comigo.
- Você é um cantor famoso, tem uma rotina incomum, está sempre rodeado de "fãs" (senti um pouco de ironia nessa pronúncia), vive viajando, pode ter a garota, ou, amiga que quiser e eu não sei o que quer comigo!! Ela se altera um pouco.
- Ei! calma! falo e ela para.
- O que você realmente quer comigo, Cristiano?! Ela fala meio aflita. Eu me sinto um adolescente e não lembro a última vez que me senti tão intimidado por uma garota.
- Eu realmente gostaria de conhecê-la melhor, confesso que tenho algumas segundas intensões. Falo sorrindo para tentar aliviar o clima. Ela sorrir e seu sorriso é ainda mais lindo que eu pensava.
- Cristiano. Ela fala mais relaxada.
- Eu posso ser jovem, mas sei bem o que quero da minha vida e também sei que pessoas como você sofre muitas tentações, vive rodeado de mulheres bonitas e disponíveis, sei também que você tem dois filhos, mas nunca foi casado, o que me leva a crê que... Ela faz uma pausa.
- Que sou um safado! Eu respondo por ela e ela sorrir. Nós sorrimos juntos.
- Mais ou menos isso. Eu sou uma garota comum, que estuda para entrar na faculdade e que sonha em casar, ter filhos e viver feliz para sempre, embora não acredite em príncipe encantado.
- Quantos anos você tem, Allana? Pergunto.
- Farei dezoito semana que vem.
- Você só tem dezessete anos??? Digo um pouco incrédulo, ela é muito jovem, embora seja muito madura.
- Ela sorrir.
- Posso convidá-la para almoçar? Insisto.
- Preciso ligar para minha mãe. Ela liga e a mãe parece concordar, mas pede para voltar logo.
Chegamos num restaurante, descemos do carro e percebo que ela tem lindas pernas e um desejo enorme toma conta de mim. Sentamos numa mesa mais reservada e pedimos um prato.
- Posso fazer uma pergunta? Falo meio sem graça.
- Você não tem namorado, né?
- Não. Ela responde.
- Mas já teve namorado sério? Ela responde meio sem graça que já namorou por um ano, mas faz alguns meses que terminaram. Eles haviam se conhecido na igreja e eram do mesmo grupo de jovens. Saber disso me incomodou um pouco.
- E você, porque dois filhos e nenhum casamento? Nossa, ela me surpreende.
- Bom... você já sabe da minha rotina, vivo viajando, cheguei a namorar com as mães dos meus filhos, mas nada sério. Elas até podiam me acompanhar algumas vezes, mas eu achava melhor não. Acho mesmo que faltou amor! Ainda não encontrei um amor verdadeiro.
- Isso está parecendo papo de conquistador! Ela fala. Eu sorrio. Mas não é verdade, não vou confessar o quanto eu busco alguém que me faça perder a cabeça. Estou quase convencido que encontrei alguém para vida inteira...
- É difícil alguém que aceite a vida que levo e que suporte minha rotina, minha ausência, minhas fãs... Olho bem nos seus olhos e sorrimos juntos.
- Qual o curso você pretende prestar vestibular? Eu pergunto.
- Medicina. Ela responde e um raio de tristeza toma seu olhar.
- Decidi quando perdi meu irmão a dois anos. Mas e você, tem algum relacionamento? Ela muda de assunto, mas essa resposta é fácil e sincera: Não.
- Você está só? Ela parece surpresa.
- Sim, é verdade. Ela sorri. E assim passamos três horas conversando um monte de bobagens, cada um querendo saber um pouco mais sobre o outro e eu cada vez mais encantado. Ela é inteligente, educada, delicada e ao mesmo tempo determinada e de personalidade forte. Estou apaixonado!
- Ela recebe uma ligação da sua mãe pedindo que volte para casa. Nós saímos e entramos no carro. Quando paro em frente ao seu prédio surge aquele clima que nos deixa sem graça, mas ela logo desce do carro, fecha a porta e para na janela, se inclinado um pouco para dentro do carro.
- Muito obrigada pelo almoço e acho que poderemos ser amigos. Ela sorri e sai. Pareceu provocante. Segurei o impulso de descer do carro, correr até ela e beijá-la. Voltei para casa sorrindo a toa, pensado em cada sorriso, na maneira como ela joga o cabelo para trás, na sua voz, na sua boca... Quero essa garota para mim, quero como jamais quis alguém, sinto desejo em beijá-la, em apertá-la contra meu corpo...
- Porra! O que essa garota esta fazendo comigo?!